É educando o cavalo que o cavaleiro se educa a si mesmo: é no jogo de reflexos sutis, na sensibilidade dos movimentos de aproximação, na permuta de arrebatamentos de simpatia instintiva e na harmonização das regras de domínio que se concretizam os fundamentos mais delicados de uma educação solidamente baseada nas leis da natureza (Freinet,l997, p.83).

Equoterapia é um método terapêutico e educacional, que utiliza o cavalo dentro de uma abordagem interdisciplinar, nas áreas da Saúde, Educação e Equitação, buscando o desenvolvimento biopsicossocial de pessoas com deficiências e/ou com necessidades especiais. (ANDE BRASIL, 2006, pg. 8).

O trabalho do equoteraperauta acontece numa situação de relação entre pessoas, não é uma relação qualquer, mas um encontro entre o terapeuta e o praticante numa postura que se traduz em interesse pessoal e humano, que permite o desabrochar das energias criadoras, trazendo de dentro do praticante capacidade e possibilidades muitas vezes desconhecidas dele mesmo e incentivando-o a procurar seu próprio caminho e a caminhar com seus próprios pés.

No atendimento equoterápico há necessidade de se formular programas personalizados que levem em consideração as exigências da criança e a fase de seu processo evolutivo. Para o atendimento equoterápico aconteça na AEC, a criança é encaminhada pelo médico neurologista e pela escola, com a autorização médica para essa prática e o relatório das atividades em sala de aula, assim, a equipe técnica terá a oportunidade de avaliar como ela enfrenta as dificuldades para aprender e se integrar socialmente. A avaliação ocorre a partir da observação, do conhecimento das atividades realizadas na escola, da metodologia utilizada pelo professor, da entrevista com a família. É importante para a equipe equoterápica ter o conhecimento de com a criança reage nas atividades da sala de aula, as relações estabelecidas com seus colegas, nas várias situações vivenciadas na escola: pátio, refeitório, para saber e sente prazer, tem insegurança, tensão e medo no ambiente escolar. Entrevista com a família deve ser realizada para um melhor conhecimento do seu funcionamento, seu estilo de vida, sua situação sociocultural e seus valores.

  • Histórico

Em maio de 1998, no plenário da Câmara Municipal de Campinas, situada na Avenida Anchieta, nº 200, foi realizada uma assembleia com a finalidade de fundar a ASSOCIAÇÃO DE EQUOTERAPIA DE CAMPINAS (AEC), assim como apresentar seu Estatuto e Eleição de sua Diretoria, estando presentes autoridades civis e militares do Município e do Estado de São Paulo e pessoas que esperavam por esse acontecimento.

A AEC é um Órgão de Utilidade Pública Municipal pela Lei nº 10.245 de 14 de setembro de 1999; Utilidade Pública Estadual pela Lei nº12756 de 14 de novembro de 2007; está inscrita no: Conselho Municipal de Assistência Social CMAS sob nr. 151; Conselho Nacional de Equoterapia (ANDE BRASIL) sob nr. SP/068.

A Associação teve convênio com a Secretaria Municipal de Educação e tem um contrato com a Secretaria de Saúde para atender a 50 crianças com deficiência motora, atuando como mediadora no processo educacional de crianças e adolescentes com deficiência e necessidades educacionais especiais, promovendo a melhora da aprendizagem, bem como a reabilitação e socialização;

O trabalho da AEC, até 2002, foi realizado no 35º Batalhão da Polícia Militar de Campinas, quando recebeu como doação dois cavalos do Capitão Veterinário do 35º BPM/I, Pedro H. M. R. Maria, podendo assim atender em outros espaços. A AEC, desde sua fundação, atendia a uma média de 20 praticantes por mês. Em outubro de 2003, foi firmada parceria por amizade com o proprietário do Centro Hípico Rio das Pedras.

Em 2004, firmou um convênio com a Secretaria Municipal de Educação e passou a atuar na educação especial, atendendo a crianças e adolescentes da rede pública de ensino.

Em 2005, foram atendidos 30 crianças e adolescentes e em 2006 atendeu a 50 crianças e adolescentes.

Em 2007 continuou o atendimento a 50 crianças e adolescentes inseridos na rede pública de ensino.

Em 2008, passou a atender 75 crianças e adolescentes pelo convênio com a Secretaria Municipal de Educação e, em outubro de 2008 firmou convênio com a Secretaria Municipal de Saúde para atender a 20 crianças, adolescentes e adultos.

Atualmente, a AEC atende 50 crianças, com deficiência no contato com a Secretaria de Saúde de Campinas em parceria com o Centro de Referência em Reabilitação Jorge Rafful Kanawatti. São atendidos pela AEC praticantes por convênios através de ação liminar e também clientes particulares

Endereço — Av. Socrates Potyguara Luiz de Camargo S/N – Condomínio Bosque de Notre Dame — Caminho 06 lote 089

Equipe de Profissionais

Diretora

_Coordenadora Técnica

  • Fisioterapeuta
  • Psicóloga
  • Psicopedagoga
  • Terapeuta Ocupacional
  • Assistente Administrativo
  • Equitador
  • Monitor
  • Auxiliar de serviços Gerais

 

Procedimentos

A equoterapia surge como uma prática terapêutica e educacional, que utiliza o cavalo como instrumento de reabilitação e reeducação de pessoas com deficiências e/ou necessidades especiais, auxiliando-as a superar, ao menos em parte, as limitações impostas por sua condição, aprimorando suas qualidades eficientes, permitindo-lhes assim, um desenvolvimento mais amplo e saudável. A equoterapia vem ao encontro da necessidade de amenizar a longa trajetória das pessoas com deficiências físicas e mentais que, frequentemente, são acompanhadas por diversos profissionais e muitas vezes em diferentes locais, poderem ser atendidos por uma equipe interdisciplinar, ao mesmo tempo e no mesmo lugar. A interação com o animal, incluindo os primeiros contatos, os cuidados preliminares, a contaria e o manuseio final desenvolvem novas formas de aprendizagem, confiança em si mesmo, autoestima e socialização. A equoterapia incluída no atendimento de crianças com necessidades educativas especiais tem como proposta ri educação integral, promovendo a organização do esquema corporal, da orientação espacial, o equilíbrio, postura, lateralidade, coordenação motora global e fina, autoestima, autoconfiança, disciplina. Esta prática é realizada através de programas específicos elaborados pela equipe interdisciplinar de acordo com es necessidades e potencialidades do praticante, com ênfase nos objetivos de curto, médio e longo prazo ri serem alcançados, visando uma melhor integração e qualidade de vida.

O ambiente terapêutico da equoterapia é diferente do convencional, o que exige dos profissionais, uma capacidade de adaptação no picadeiro, para que possam atuar como facilitadores e potencializadores do processo de reabilitação e redução terapêutica inerente ao contato cavaleiro/cavalo. O equoterapeuta tem por sua formação os conhecimentos específicos da sua área de atuação, que pode ser: saúde, educação, esporte, lazer, sendo assim, deve atuar em vivências práticas através dos princípios fundamentais da sua área junto à equipe interdisciplinar. O termo usado para designar o sujeito que faz a equoterapia é praticante, segundo a ANDE-BRASIL.

O atendimento equoterápico é organizado e sistematizado através de um planejamento individual, no qual ri equipe interdisciplinar analisa as avaliações: médica, fisioterápica, psicológica, psicopedagógica, , da terapeuta ocupacional definindo, assim, os objetivos e as estratégias de acordo com as limitações, necessidades, potencialidades do praticante. Esse planejamento é anexado a ficha evolutiva, que apresenta as informações a respeito do praticante, seu desenvolvimento socioafetivo, cognitivo e motor de forma clara, objetiva e simplificada. A equipe interdisciplinar deve avaliar e reavaliar o praticante utilizando a ficha evolutiva em períodos pré-determinados. Na equoterapia é fundamental traçar um programa que promova a integração e socialização da família.

About the author : André Sales